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quinta-feira, 30 de junho de 2011

A minha tragédia?

A minha tragédia

Por Florbela Espanca




















Tenho ódio à luz e raiva à claridade

Do sol, alegre, quente, na subida.

Parece que a minh’alma é perseguida

Por um carrasco cheio de maldade!


Ó minha vã, inútil mocidade,

Trazes-me embriagada, entontecida! ...

Duns beijos que me deste noutra vida,

Trago em meus lábios roxos, a saudade! ..

.

Eu não gosto do sol, eu tenho medo

Que me leiam nos olhos o segredo

De não amar ninguém, de ser assim!


Gosto da Noite imensa, triste, preta,

Como esta estranha e doida borboleta

Que eu sinto sempre a voltejar em mim! ...



segunda-feira, 30 de maio de 2011

Abater, repensar, transferir...


Eu fico pensando porque o senso comum sempre precisa ter razão. Nisso, de dizer transitoriedades constantes, de reafirmar felicidades efêmeras. Você pára num ponto de alegria e ele sequer se estende por duas ou três semanas. Há o algo de um tenso eterno no acabar de momento. Frustrante. O que fazer diante disso? Vou ler Florbela. Vou me pôr Flor na página negra. Vou me transferir em linhas digitadas, digitais. Vou escutar If I fell. Quero abater esse cansaço mental, esse esgotamento psicológico. Vou repensar, antes de novas rearticulações coronárias. Vou beber uns copos de solidão. Ao meu jeito. Plisi bilivi!