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quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Déjavu


E é muito bizarro porque é de uma vez. Você vive por segundos o que a sua mente reconhece como já vivido. E pensa que já foi vivido mesmo. E pensa que não foi vivido nada. A situação é tonta. Sua cabeça roda, e você analisa a repetição. Mas a memória não te dá momento/lugar/tempo em que se foi vivido aquilo. É mais sensação que lembrança. É mais lembrança que experiência. É como marca que nunca foi deixada. É tão latente e confunde tanto por não explicar, que a vida para ali e as respostas não vêm. É como se em algum lugar da infância você tivesse sonhado com aquilo e agora vivencia. E é situação-besteira, banal, mas impressiona posto que não se entende. É e não é. É como que aquela linha, que você não sabia que existia, tivesse quebrado em pedaços de tempo, rapidamente reconstituídos por um olhar de atenção. Vez ou outra, sinto dessas coisas.

Ouvi dizer que estão presentes em várias vidas. Rasgando monotonias. São cérebros tacando facas no tédio pra não deixar a loucura chegar. Ou seria uma lambida na esquizofrenia? Testes esquecidos e não legitimados de previsões de futuros baratos que a gente não releva. É essa mania de não darmos a estima que o nada merece. Pra não cair nessas coisas de amar importâncias, vou ali ler o livro das ignorâncias, de São Manoel de Barros.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Tenho tristezas alegres...


“Caminhos não há, mas os pés na grama os inventarão...”. A grama debaixo do meu solado é tão verde que me deixa anêmica de refletir. Gramas verdes combinam com flores mal criadas. Porque tenho tanta aversão à luz, que me faz medo só de pensar num jantar-fotossíntese. Enquanto não sei por que flores eu vou, enfeito vestidos e cabelos com elas.


Tenho tristezas alegres, valsas militantes, limpezas pesadas. Só dedico armários inteiros à traças por que comem elas o que a pouco me vestiu. Pedaço de mim que não preciso, roupa. Adoro as orquídeas por sua falsidade. Podia até pisar nelas por isso. Mas orquídeas são flores de vaso. Pés longe alcançam vasos. E jamais pisaria beleza.


Cabisbaixas, parecem esperar um amor perfeito, um mal me quer, um copo de leite. Ficam balançando com bocas cansadas, meio sedentas. São caras sem olhos. Um dia desses, vi orquídeas com olhos. Mal senti meu coração. Foi quando olhos bateram asas e voaram pela noite fria. Nunca vi olhos voando. Perdi aqueles olhos de vista e lá ficou a orquídea me dando língua. Outras coisas combinam com flores mal criadas.