sábado, 12 de maio de 2012
Dia de mãe
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Varreduras sem fim

E já tinha varrido uns pedaços de pensamentos imbecis, caídos ali no quarto. Deixou de remoer hahahas. Queria uma tristeza menos pesada. Foi que lembrou que o querer é pouco caso pra quem fica paradinh@. Viu que tinha muitos bibelôs e todos olhavam pro nada. Viu que tinha muitas cores, mas nenhuma lhe ardia nos olhos. Viu e vendo, pensou que podia ousar, como já lhe dissera em quadradinhos, Alan Moore.
Tinha uma cortina de quarto, florida e gaiata, que ia e vinha, revelando lembranças que não queria ter pela frente. Podia se disfarçar de ameba, mas mesmo as amebas, criminalizadas que são, deviam sofrer por não saber o que eram, e não saber o que era saber. Enfim, no fundo delas, na sua assexualidade, incapazes de amor que eram, deviam sentir alguma coisa parecida com falta dessas coisas que a gente gosta e odeia.
Se tudo é só ponto de vista, então o nada é tudo, se eu quiser que seja, concluiu. E olhou pra cadela que vinha em seu encontro, olhos lindos, chocolate, focinho pedinte, afeto demonstrado no rabinho balançante. E viu pureza ali. Lembrou de São Francisco, lembrou dos laboratórios, lembrou de Madagáscar. Deixou de fribilar hahahas. Era muita coisa perdida, por se encontrar. Era muita coisa achada, por se perder.
Dar unidade á ideias dispersas era tão sacal quanto conversar com eles ou ouvir Lulu Santos. Era melhor assim, caos bonito, pensamentos jogados, confusão faxinada de si. Resolveu que ia comer dicionários para dar-lhe sustança pro mais a frente. Mas recordou que tinha de ir com calma, pois que se lhe sobrassem versinhos, pedantismo cruel podia parecer. Tomou por acatamento, retardar a refeição para mais além.
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Nada que mate tão rapidamente...
Me toquei que a solidão é tão libertária. Por isso sempre ando tomando uns chazinhos de só. Cigarro à punho, misturo pensamentos com ideias cantadas em vozes doces, arranjos rasgantes.
Livre ser, livre para poder fazer o que se acha que é escolha própria. Aquilo que é tão somente escolha quanto condição. Tomar deliciosos venenos. Nada que mate tão rapidamente. Sentir líquidos negros descerem garganta abaixo, desgastando todo um organismo que mal consegue digerir felicidades. Sempre com dúvidas dissolvidas
Passear por ai sem rumo é desculpa esfarrapada pra ter o melhor rumo. É ter ganas de achar o não se achar. É sempre se atrair pelo que se acha ser o melhor sem rumo já testado , mesmo inconscientemente. É pular de vez em quando as amarras , os laços, os muros de vidro. Testar o diferente já é tão clichê. Ecletismos são comuns demais para ser livre com eles. Buscar clássicos, renovar modernidades, tudo é tão desmanchar sólidos no ar. Efetivamente, nada é sinônimo de apoderar-se do momento, sempre conceitos de vicissitudes excêntricas.
Ideias idosas, de séculos atrás sempre revisitadas, numa circularidade nauseante. Chatas, até que se identifique. Apaixonantes, quando diagramadas nas grades certas. Se é que estão certas. E para que servem as ideias? Para calar o ronco da mente. Ando tendo uma mente faminta. Só que conceitos aprisionam, vez por outra.
As ideias são como os homens [fala de mulher]. É preciso conhecer, chatear-se com algumas vicissitudes excêntricas, identificar-se, e por fim, apaixonar-se, mas sem jamais deixar-se aprisionar. Vez por outra, diria.