domingo, 7 de agosto de 2011

De deseo somos...


Por Eduardo Galeano
em Una Hisoria casi universal


La vida, sin nombre, sin memoria, estaba sola. Tenía manos, pero no tenía a quién tocar. Tenía boca, pero no tenía con quién hablar. La vida era una, y siendo una era ninguna.


Entonces el deseo disparó su arco. Y la flecha del deseo partió la vida al medio, y la vida fue dos.

Los dos se encontraron y se rieron. Les daba risa verse, y tocarse también.


segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Tinha biscuits cheios de vida


Tinha bonequinhas em cima de mesas. Tinha lembranças em cima da cama. Fitou olhos inertes, ficou com medo, mas não era o espelho. Era apenas a boneca de biscuit sentada na altura de sua mente. Tão indecisa ali, de cabelos roxos, arrupiados. As mãos estendidas pra frente, como quem pede e sabe que não vai receber. Tal qual, ela estava. Tal qual ela, era um ser perfeitamente moldado.

Tinha uma consciência condicionada. Tinha feridas na mente. Amava o vermelho e o cinza estava ali diante dela. Vergou pensamentos sobre o negror. Contaminou frases, torceu versículos, abraçou ideiazinhas medíocres. Pois que tinha um coração apertado por dúvidas. Eram seres cruéis. Apresentavam-lhe opções, cada qual com sua verdade, decepções, encantamentos. Sentiu inveja do ser inanimado, ali, expressando uma felicidade morna, sorriso de risco. Foi pintar telas eletrônicas com o dedo. Chamavam touch tal intervenção.


Descobriu. Tinha verdades desconhecidas dentro do umbigo. Tinha veredas finitas dentro do vento. Tinha vontades eternas, possivelmente, inalcançáveis. Não queria carinhos tristes com dois pontos e parêntese. Seu fazer era meio encanto cotidiano, como quem vê luz da janela do ônibus e festeja a alegria no vibrar do outro.
Depois se sentiu inerte como a bonequinha de biscuit. Mas ainda era vida, lembrou.

Fui prum Encontro, me encontrei de novo


E porque foram dias de estudos, conheceres, descansos agitados. Vi nossas ideias em muitas bocas. Vi muitas bocas entoando as mesmas palavras. Palavras de busca, de encontro, de fé. Uma fé diferente. No outro, num plano, no si para construir. Beleza. Vi beleza na indignidade. Valas não fizeram cair sonhos. Foram espaços cheios de braços, consciências, vontades. Vi círculos girando coletivo, me vesti de cirandas em noites de rio. Embriaguei-me com sorrisos de sambas, calypsos, carimbós. Misturas leves, quentes, brindadas por pés e corpos piauienses, cariocas, paraenses, capixabas, cearenses, paulistas... Vi caroés virarem repasse cultural.

Senti no efêmero o luminoso. Uns dias poucos pra grandes apertos. Quis subtrair pontuações quando conheci uns olhos negros, que me deixaram a lembrança do seu abraço num colar que tem seu cheiro.

Vi olhos aprendendo, olhos ensinando. Vi olhos que gritavam ansiosos pela transformação tão esperada. Utopia não é sonhar o impossível, li em alguns sorrisos. O Impossível é o concreto ali nos espaços, nas discussões, no repensar, no combater. Vi que formulações com pitadas de sonho são as mais belas formas de intervenção no real.

Fui ao Encontro. Encontrei vida, anseio, amigos, amor, causa, futuro. Pensei perspectivas, revi conceitos, provei deleites, vivi pedaços de Brasil, sonhei conjunto. Vi que essa sementinha, nascida no seio de qualquer opressão sofrida ou vista, que brota e floreia esperança, não é individual e isolada.

Ir ás ruas, provar do brado, compartilhar a voz do outro no mesmo tom, dá força à alma pra seguir na luta. Vi que deixar marcas na parede alheia é deixar o grito de que há algo errado. Ainda corre o risco de perceberem há tempo. Meu povo tem braços fortes moldados pela opressão. Por isso amo tanto as flores deixadas no caminho. Por isso não me canso tanto na luta deixada no caminho. Passos com flores em Encontros fazem encontrar lindeza na força. Fazem a gente se encontrar no caminho. Encontrar-se faz bem pra alma.

Enecom Pará 2011 – “Quem não se movimenta não sente as correntes que o prendem...” (Rosa Luxemburgo). Foi lindo, agora partimos para a construção do Cobrecos Fortaleza 2012. Já escolhemos as flores. Vão ser girassóis.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Tenho tristezas alegres...


“Caminhos não há, mas os pés na grama os inventarão...”. A grama debaixo do meu solado é tão verde que me deixa anêmica de refletir. Gramas verdes combinam com flores mal criadas. Porque tenho tanta aversão à luz, que me faz medo só de pensar num jantar-fotossíntese. Enquanto não sei por que flores eu vou, enfeito vestidos e cabelos com elas.


Tenho tristezas alegres, valsas militantes, limpezas pesadas. Só dedico armários inteiros à traças por que comem elas o que a pouco me vestiu. Pedaço de mim que não preciso, roupa. Adoro as orquídeas por sua falsidade. Podia até pisar nelas por isso. Mas orquídeas são flores de vaso. Pés longe alcançam vasos. E jamais pisaria beleza.


Cabisbaixas, parecem esperar um amor perfeito, um mal me quer, um copo de leite. Ficam balançando com bocas cansadas, meio sedentas. São caras sem olhos. Um dia desses, vi orquídeas com olhos. Mal senti meu coração. Foi quando olhos bateram asas e voaram pela noite fria. Nunca vi olhos voando. Perdi aqueles olhos de vista e lá ficou a orquídea me dando língua. Outras coisas combinam com flores mal criadas.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Amar e amar e amar...


Amo e vejo que amo na poesia de umas coisas chatas. Chatas como essa lágrima teimosa que aprisiono no mesmo olho que te vê. Vê e não pode te sorrir tão fartamente, como quem diz vem e me abarca com o teu. Amo. Descubro e esqueço que te amo, porque te perdi por algum pedaço de vida mofado. E tem umas veias que vivem saltando, como se me cutucassem pra eu te chamar. Amo e não posso ser mais autosuficiente sentimentalmente como pensei que pudesse.

Ando querendo transformar aindas em agoras. Ando querendo teu queixo, teu dente, teu indicador. Lembro de quando era criança e olhava a cacimba no fundo do quintal. Tinha medo daquele profundo, daquele escuro, tinha medo de cair, de me afogar no lodo, sem ar nem esperança. Me eras tão inocente e furaste meu peito. Pensei que cicatrizes assim só existissem em letras de músicas bregas. Às vezes abstraio esse amor e penso que ele morreu, mas no fundo está lá, só assistindo TV, abobalhado. Me assistindo viver, de parada em parada, sucessões, deixando eu me enganar. Deixando eu acreditar que o novo já vem, quando na verdade, meu desconhecer de certezas é a vontade do velho renovado.

Teus olhos são a cacimba do quintal da minha vida. E já fico aqui me afogando, lembrando deles, serenos demais que são. Preciso amar e amar, convulsivamente. Sempre fui esse fraco canto da pessoa humana. Sempre não me contive em emotividades. Até quando necessitei da razão, precisava estar só.

Não quero mais preencher um lugar. Não quero momentos intensos seguidos de profundos vazios. Não quero mais variar pensamentos. Quero completude. Quero uma razão que acarinhe a minha, que a bote pra dormir e a acorde com beijos ardentes e ternos. Quero um eu para depositar-me. Se amar é perder-se, confesso que amo e só quero um. Permaneço dona de minha vontade, no entanto, meu amor é, em pedaços, teu. Quero ser livre dentro de ti...