sábado, 25 de fevereiro de 2012

Que possamos!

“Las mujeres dibujaban sus palabras
en ropas y abanicos. Las manos que los
bordaban no eran libres. Los signos, sí”.
Eduardo Galeano:::
Espejos – Una historia casi universal




Sim, sim! Corram, corram os estereótipos. Das nossas mentes, das nossas bocas, das nossas vidas. Piriguetes, peruas, românticas, patricinhas, rockeiras, neo-hippies, recatadas: somos todas mulheres. Nós usamos a roupa que queremos, porque antes de nós, lutaram por isso. Mas hoje... Hoje dizem que temos liberdade pra fazer o que quisermos. Temos? Os olhares, os posts e as piadinhas machistas não confirmam nossa liberdade. Somos livres, sim. Somos! E por isso, mostremos que somos. Nas roupas, nos atos, nas ruas. Fechemos bocas, abramos mentes, estiquemos braços.

Somos flores variadas que se inflam por prazeres de vida. Somos gente, e ao contrário do que dizem por ai, não queremos passar homens, subir, pisar. Nossa força é a união histórica de olhares. A ideia absurdamente perfeita de que somos iguais, não importando o gênero. Temos voto e participação política, mas queremos mais. Queremos caminhar ao lado, ter prazer junto, quebrar mitos. Queremos mais políticas de saúde e menos revistas pra conquistar machos. Mais emancipação política e menos falso poderio feminino. Mais orgasmos múltiplos e menos violências escrachadas e aceitas. Nos quartos, nas palavras, nas TVs. Mais flores, companheirismo, amores correspondidos. Mais amor livre e soltinho. Posto que somos Simones, Marias...

Não, feminismo não é femismo. É só o entender que existe uma dívida histórica e que é preciso saná-la. É a busca da liberdade de escolha. Escolha pelo lar ou o não-lar, pela cria ou a não-cria, pelo homem ou pela mulher. É agir sem amarras. A opressão nos ensina a coerência pelo anti-exemplo. Sofremos sacramentadas dores falidas. Mas o tempo de enxergar as contradições sempre foi o agora. Que acendamos nossos olhos, com ou sem maquiagem, à la vonté.

Que possamos ser lindas de shorts curtos ou grandes saias. Que não sejamos produtos, frutas ou carne apenas. Que possamos escolher ter ou não família. Que possamos ser piranhas de bom sentimento. Que possamos usar decotes e corações cheios. E que façamos isso por refletir e achar o certo. Que não herdemos as dores do mundo pelo fruto que não comemos. Que não abramos caixas escuras pelo ciúme que não sentimos. Que possamos abrir nossas pernas pra quem quisermos, se quisermos, sem choques ou taxamentos. Sim, que possamos. Que não nos calemos.

Negras, brancas, rosas, marrons, noites, dias, casas, calçadas. Que sejamos nossas, assim como nosso pensamento e vontade.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Irmão libriano


- Irmão, traz água pra mim?
- Ai, meu Deus!
- Ownn irmão, por favor...

Silêncio.

- Te dou dez centavos.
- Pufff!
- Cinquenta centavos.

Silêncio.

- Um real, irmão!
- EU NÃO QUERO DINHEIRO! Grita ele da sala.

Silêncio. Ela retoma o que estava fazendo e esquece a sede. Breve tempo depois, a porta se abre. Um copo d’água lhe é oferecido.

- É a mais gelada que tem.

Seus olhos brilham. Librianos de 12 anos... Irmão fofinho. ^^

sábado, 31 de dezembro de 2011

Possibilidades











E se um sonho pisasse no chão?
E se da pisada brotassem sonhinhos?
E se eles crescessem e virassem flores?
E se saíssem pelas ruas?
E se o multicolor não fosse estranho?
E se o estranho fizesse feliz?
E se a felicidade fosse amanhã?
E se o amanhã já fosse hoje?
E se o amor fosse a nova ordem?
E se o desejo não fosse pecado?
E se a verdade não existisse?
E se a existência brilhasse e brilhasse?
E se mãos fossem mais que mãos?
E se um cometa queimasse os olhos?
E se chuva molhasse os pés?
E se você fosse como quisesse?
E se não houvesse mais nada?
E se o nada fosse repleto?
E se você ouvisse lembranças?
E se a memória toda furasse?
E se a utopia vingasse?
E se o mundo de cá explodisse?
E se do fogo brotassem vontades?
E se o todos fosse mais do que o eu?
E se não fosse crime lutar?
E se a vida fosse de círculos?
E se a liberdade fosse presente?
E se a alegria girasse?
E se pudéssemos agir?
E se nos acompanhassem?
E se o novo fosse amigo?
E se o novo fosse agora?
E se o novo estivesse ao alcance?

Do chão, da memória, das flores, das ruas, das mãos, de todos...
E se as possibilidades tornassem-se reais?

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Desejo para 2012

Andrey Demin, Sunflowers

Desejo neste fim de ano, a tod@s @s meus/minhas amig@s mais que felicidade. Desejo que saibam o quanto são importantes por serem como são, em seus acertos e erros. Desejo que saibam como é bom ter vocês na minha vida, roubando um pouco de cada um/a pra formar minha subjetividade doida. Desejo que nós, todos nós, tenhamos alegria e força, nessas lutas diárias, de mão com mão, de luz em luz. Desejo girassóis, copos-de-leite, mandacarus.

Desejo círculos de memória. Desejo que me perdoem pelas más ações, que tolerem as faltas de atenções, que superemos qualquer insônia. Desejo menos nostalgias e mais saudades, menos facebooks e mais ruas, mais lágrimas de aventura, mais sorrisos de porventura. Desejo saudades, pois esse gostinho é sal que tempera a vida. Desejo amor, amor, amor. Amor de verdade, em dose, de concreto, de vertigem, amor-espanto, amor pequeno que seja, amor ventania. Desejo aos/às que entraram em minha vida neste ano, que permaneçam juntinh@s, e aos/às que se afastaram, que retornem, vez em quando.

Desejo que enxerguemos que o ano que se inicia é apenas nada. E nada é cheio de tudo, de possibilidades. Desejo que tomemos em nossas mãos essa caneta véia da vida, e assumamos isso de sermos artífices de nós mesmos, do nosso ao redor. Desejo que tudo isso seja mais que desejo e que pensemos pensemos e pensemos. Sejamos. Que nosso mundo triste é que se acabe em 2012. E um novo – que alguns chamam Utopia, comece a ser construído – dentro de cada um/a de nós, por cada um/a de nós, para cada um/a de nós, e aos/às que estão por vir, assim como os anos que virão. Gosto tanto tanto de todos vocês... De formas diferentes, e gosto. Sou vocês também. :D