
Ela solta:
- Você é uma besteira gostosa e prejudicial...
- Valeu!
Silêncio.
- Sabe...
- Diz.
- Nunca pensei que eu pudesse...
- Pudesse o quê?
- Ah, deixa pra lá!
- Caralho, eu odeio quando tu faz isso, Flor!
- Meu filho, não vai adiantar eu te explicar.
- Tente!
- Não, não. Deixa...
- Tá certo!
Silêncio.
- Mas...
- Hum?
- Realmente, eu acho...
- O quê?
- Tu não ia entender...
No fim, ambos sabiam que ele entendia. Mas certas coisas não precisam ser ditas. Outras sim. Pecaram por omissões, se fizeram mal por vazios.
Silêncio.
- Porque tu é assim hein?
E ela não viu, mas ele tinha água nos olhos. Arrependeu-se do que perguntara.
- Porque eu tenho medo...
- Oh xuxu!
E ela fez-se proteção. Enxugou inseguranças, tocou lábios no sal. Silêncio. Abraços-conforto deram continuidade ao que não sabiam no que ia dar. O balanço da traseira do ônibus fez menear aqueles corações, tão pedaços, que não queriam unir-se. Puro medo.
Silêncio.
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